Eu, como mais um mero mortal, faço minhas reflexões para o novo ano também. Só que minha mente não é tão bem regulada assim para ter esses pensamentos pontualmente no último dia do ano ou no primeiro.
Talvez esse texto fique extenso, então vou tentar não me prender à clichês, não pedir a paz mundial, nem nada do tipo.
Tem coisas na vida que não dá para querer. Às vezes, sofro por coisas que gostaria de ter e não posso ter e parece que é impossível levar a vida que se quer levar o tempo todo. Cedo ou tarde, alguns sonhos e vontades precisam ser abandonados, pois não dá para ficar sofrendo a vida inteira por causa de objetivos inalcansáveis. Acho que 2012 valeria a pena para mim se eu conseguisse abrir mão de certos pontos de vistas e descobrisse uma nova luz no fim do túnel. Gostaria de poder olhar para a vida com novos olhos.
Ano passado eu fiz 20 anos. Passei por uma pequena crise do tipo "já estou velho". Às vezes, tenho essa ideia estabanada na cabeça de que eu deveria estar curtindo a vida adoidado só porque sou jovem. E até dói ver que estou envelhecendo, que a vida está passando e que eu não estou curtindo adoidado. Não que eu vá ser mais feliz se eu fosse encher a cara todo o final de semana na Cidade Baixa, ou se eu fosse andar nas montanhas-russas mais rápidas do mundo com os braços para cima e os cabelos ao vento. Só acho que essa ideia é uma assombração.
Às vezes, uma voz interna até promete para mim que um dia eu viverei intensamente tudo o que estou deixando de viver hoje. Mas, por um outro lado, essas promessas que faço para mim mesmo muitas vezes não passam de desculpas para eu acabar não fazendo muitas coisas que eu gostaria de fazer AGORA. Eu penso "um dia eu amarei, um dia eu serei independente", sendo que eu poderia estar fazendo isso agora se eu não fosse covarde ou acomodado.
Gostaria também de ter mais tranquilidade daqui para frente. Tenho uma urgência de fazer alguma coisa da minha vida dar certo. Por causa disso, acabo desistindo de várias coisas que aparentemente não estão dando certo; Aquela mania de começar várias coisas e nunca terminar nada. Essa obsessão por ter que ser o melhor naquilo que eu faço arranca a minha paz de mim. Sempre me frustro com as dificuldades e fico com vontade de largar tudo, pensando coisas como "eu não nasci para isso". E, enquanto eu não encontro a coisa para a qual eu nasci, o motivo da minha existência, parece até que eu não posso ter a minha vida. Por causa disso, acabo deixando de fazer algumas coisas que gosto e quero fazer. Tirei D em uma cadeira do último semestre. Nem me senti um lixo, nem me senti um verme, nem me senti indigno de ser amado. Parece que eu vivo condenado a dar resultados excelentes de todas as coisas que eu faço e que não há razão em fazer alguma coisa que alguém já faz melhor do que eu. Espero, em 2012, mudar esse tipo de pensamento.
Enfim, é isso.
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2 comentários:
Talvez eu nao seja a pessoa com experiencia mas eu sou a pessoa acomodada que sabe de suas limitações pessoais. Escolher fazer as coisas como e quando quiser é ser independente, é poder saber escolher o lado que se quer ficar pensando no bem de todos. Ser adulto nao é ser social, ser adulto é tomar um pouco do peso das responsabilidades das pessoas que estão à sua volta. E isso envolve erros, acomodação e poder de opinião e talvez poder de transformação. Mas nada disso é possível sozinho. Então não nos culpemos. Nos acomodemos.
Só porque tenho essas reflexões, não significa que as coisas vão mudar para melhor. Acomodar-me-ei um pouco. =P
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